Posted by Gustavo Guida Reis on 23rd September 2008
A briga vai esquentar! A Apple não vai ficar sozinha com seu marketplace de música e aplicativos. A HTC lança em outubro o G1, primeiro celular com o sistema operacional Android, do Google, que contará com um estupendo mercado para se baixar/ comprar mp3 e software.
A grande sacada do Google foi perceber que os consumidores querem facilidade para instalar seus aplicativos, coisa que têm há décadas no PC. Foi algo que turbinou o iPod e o iPhone, algo que a Apple já pescou faz tempo mas que a Nokia teima em não implementar. O marketplace para o Android se chamará Android Market e terá uma grande vantagem em relação ao iTunes da Apple: seguirá o conceito de web 2.0. Em vez de aprovar cada aplicativo desenvolvido, o Google deixará que os consumidores dêem notas e tags para tudo. Bem diferente da ditadura da Apple, que volta e meia bane aplicativos do iTunes, o Google lavará as mãos e colocará o poder com os usuários. Em relação às músicas, a Amazon será parceira, colocando seu sistema de download de mp3 (sem DRM) pré-instalado nos celulares com Android.
A linha da Apple é baseada no controle ferrenho sobre seu eco-sistema. O Mac e o iPhone são produzidos somente por ela. Para se desenvolver aplicativos para o iPhone é preciso seguir um código de conduta bastante restrito: não pode haver nenhum aplicativo que compita com o iTunes (para se comprar/ baixar músicas, vídeos e aplicativos); nenhum sofware pode rodar em background; não se pode usar o GPS para navegação em tempo real. Enquanto a primeira restrição é claramente de ordem econômica, para proteger o mercado da Apple, a segunda tem a uma explicação mais interessante: deixar o sistema operacional com memória livre suficiente para rodar os aplicativos bem - algo que notoriamente a Microsoft ignorou no seu Windows Mobile e que é queixa constante de seus usuários. A razão para o GPS nao poder ser usado em todo seu potencial ainda é um mistério, sobretudo agora que o novo Google Maps já o faz.
O controle da Apple se insere num contexto maior de evangilização da marca. Fazem décadas que a marca é associada a algo cool. Recentemente com o iPod, essa onda veio com força total e como resultado, mais e mais pessoas aderem ao Apple (basta olhar ao redor e ver a quantidade de conhecidos que adquiriram um Mac nos últimos tempos). Cada consumidor Apple (uns mais e outros menos) acaba se tornando um fã da marca. Não sei porque, mas todos tentam convercer os demais que o Mac é ótimo, muito melhor que o PC, etc. Como bem definiu o Blog de Guerrilha, cada vez que os Fanboys da Apple se auto-intitulam cools, mais eles ficam antipáticos para a grande maioria. Por isso o mote da campanha da Microsoft: I’m a PC. É para mostrar que o PC é para gente normal e o Mac para gente esnobe.
O Google não quer controlar nada, quer ganhar na massa. Quer usar a massa a seu favor e criar uma base de usuários que consome produtos Google por necessidade e não por fanatismo ou ideologia. O Android será mais uma frente da batalha, na qual o Google tende a mexer num mercado que acabou de ser sacudido pela Apple. Com milhares de aplicativos a serem desenvolvidos, sem censura alguma, e instaláveis com facilidade, o Google aposta que tomará mercado dos concorrentes.
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Posted by Gustavo Guida Reis on 12th September 2008
Há no mercado dois principais leitores digitais (e-Reader). O Kindle da Amazon e o Reader Digital Book da Sony. A partir de 2009, chegará um concorrente de peso (pouco peso, na verdade, gramas apenas). Trata-se do leitor da Plastic Logic (ainda sem nome comercial). Vou comparar os três aparelhos e depois, como de hábito, fazer mais uma previsão de qual deles tem mais chances de sucesso comercial.
Antes, só uma observação importante: os três usam uma tecnologia chamada de e-Ink, na qual cada página vista é “impressa” na tela, ou seja, se a bateria acaba, o conteúdo permanece visível. Só há consumo de energia quando se troca de página. Saiba mais sobre e-ink aqui (Wikipedia e no site do dono da tecnologia).
Agora vamos à comparação.
Kindle:
Prós:
- Marketplace: mais de 170 mil títulos. Sistema de compras fácil (aqui do Brasil ainda não dá!).
- Conexão wireless 3G: É possível comprar (e baixar) livros sem usar o computador (só nos EUA).
Contras:
- Layout do tempo das cavernas.
- Tela pequena.
- Preço (360 dólares nos EUA).
- Sem wi-fi nem Bluetooth.
- Não lê outros tipos de arquivos, só livros.
- Teclado em vez de touchscreen.
Reader Digital Book:
Prós:
- Preço: 300 dólares com 100 downloads de títulos de graça (que diz a Sony valerem 199 dólares).
- Suporta diversos tipos de arquivos além de e-Books. Texto (PDF, RTF e TXT); imagem (JPG, GIF, BMP e PNG); som (MP3 e AAC).
- Aceita cartões de memória (Memory Stick e SD).
Contras:
- Somente 20 mil títulos.
- Sem conexão sem fio. Nada de wi-fi nem 3G. Para transferir os arquivos é preciso usar um cartão de memória ou o cabo USB.
- Sem teclado nem tela touchscreen.
Plastic Logic:
Prós:
- Dimensões: muito fino e leve, só 7mm de espessura.
- Tela touchscreen: é possível anotar em cima do texto lido.
- Conexões sem fio: wi-fi e bluetooth. Pode se conectar inclusive com outro Plastic Logic para trocar informações.
- Lê vários tipos de arquivos além de e-Books: DOC, XLS, PPT, TXT,PDF
Contras:
- Vem de uma empresa sem histórico de produtos de consumo.
- Não apresentou nenhum marketplace para se comprar livros.
- Ainda não está no mercado, logo, ainda é uma promessa.
O futuro dos e-Readers é mais do que quem tem o melhor hardware. Quando se analisa esse mercado, o racional passa pelo ecosistema todo. Não adianta ter um super hardware se não há distribuição de conteúdo. O sucesso da Apple atual não vem do iPod e sim do iTunes. É o marketplace de música que deu a tração aos players. A Apple ganha dinheiro mesmo vendendo o conteúdo e não com o iPod. Já espetou mais tipos de arquivos no iTunes com sucesso (venda e aluguel de vídeos, aplicativos).
A Amazon, portanto, tem uma vantagem enorme em já possuir os contratos com as editoras e apenas portar seus livros para o Kindle. A Sony está correndo atrás, mas jamais terá a força da Amazon junto ao mercado editorial. E o Plastic Logic? Será comprado por algum player que usará seu hardware para distribuir conteúdo de seu marketplace. Os candidatos à compradores: a própria Amazon que poderia abandonar o feioso Kindle; a Apple que poderia entrar no e-Book com um aparelho bacana; o Google, para ter um hardware de ponta, para distribuir o conteúdo do Google Books; ou algum fabricante de peso (i.e. Philips) apenas para cortar custo de P&D.
Leia as repercussões sobre o Plastic Logic: Meio Bit; Engadget (com video da Demo do produto); TG Daily (com video exclusivo).
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