Gustavo Guida Reis

Empreendedor, investidor e consultor.

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Archive for the 'Mercados' Category

Celulares: O que o futuro nos reserva?

Posted by Gustavo Guida Reis on 26th June 2008

Cada dia que passa a convergência tecnológica é mais e mais observada nos celulares. De dois anos para cá, começaram a aparecer aparelhos que de fato acrescentam multimídia e ferramentas de trabalho às funções usuais dos celulares (voz e mensagens). Veja o célebre iPhone, os modelos série N da Nokia, fortes em multimídia; no campo de aplicações de negócios temos os Blackberries da RIM e os série E da Nokia como expoentes. Correndo por fora, como sempre os coreanos, que seguem com muita competência a concorrência (em termos tecnológicos, pois em vendas estão entre os primeiros).

O mercado de celulares cresce anualmente. Aumentou quase 14% no primeiro trimestre de 2008, sobretudo pelo incremento de demanda dos países emergentes. De fato, no Brasil já há quase quatro vezes mais celulares do que linhas fixas. Hoje a Nokia domina o mercado de celulares (veja gráficos I e II). Samsung já ocupa o segundo lugar, ultrapassando a Motorola (que continua sua decadência) [leia aqui em inglês sobre boato no qual a empresa americana apostará todas as suas fichas num novo modelo]. Os coreanos também estão em 4º. Lugar com a LG. Em quinto está a Sony-Ericsson, que, à exemplo da Motorola, já dominou o mercado.

A Nokia permanece forte nos smartphones, ainda que sua receita seja concentrada nos telefones mais baratos. A RIM ainda não enfrenta concorrência do iPhone nos EUA e ainda cresceu forte no primeiro trimestre de 2008 (gráfico III). Entretanto, o futuro é sombrio para a fabricante do Blackberry (BB), uma vez que a Apple entrará no mercado corporativo ao lançar a versão 2.0 do software para o iPhone, com suporte a push email e sincronização de agenda e contatos – o grande diferencial do sistema do BB até hoje. A RIM tem que se mexer, pois está sanduichada por duas empresas que já entenderam que o consumidor quer convergência e, portanto, deseja aparelhos que o satisfaçam não só no trabalho como no lazer. O consumidor quer levar apenas um aparelho, onde além de se comunicar por voz e texto (SMS, email, chat), fotografa, filma, ouve música,se localiza (GPS) e acessa a internet. É a máxima do Senhor dos Anéis “One ring to rule them all” – One gadget to rule them all.

O cenário que se traça é de extrema competição. Nokia recentemente comprou o restante da Symbian e prepara sua versão “código-aberto” via Symbian Foundation. O Google organiza sua plataforma aberta, Android. A Apple lançou seu seu iPhone OS 2.0 e o SDK (software development kit) dando diretrizes para que sejam desenvolvidos software – não os hackeados que você instala no seu iPhone jailbroken! – e que serão comercializados na sua loja estilo iTunes. A Microsoft permanece atualizando seu Windows Mobile e mantêm parcerias com grandes fabricantes como Samsung, LG e HTC. A RIM trabalha forte licenciando seu software para servidores, incrementando a base de compatibilidade com o Blackberry.

Qual das estratégias será a vencedora: A Nokia manterá a hegemonia, a Apple seguirá na sua curva ascendente e o Google terá sucesso com o Android? Ainda é cedo para previsões, mas como sou abusado, vou fazer umas sobre o mercado dos smartphones. Preferi pensar no embate entre os sistemas operacionais. Symbian (Nokia) x iPhone OS (Apple) x Android (Google) x Windows Mobile (Microsoft) x Blackberry OS (RIM). Em cinco anos, o mercado estará da seguinte maneira (em ordem):

  1. Symbian, ainda que com bem menos market share que hoje – basicamente só a Nokia venderá celulares com Symbian.
  2. Android – se beneficiando da enormidade de aplicativos e celulares compatíveis.
  3. Windows Mobile – pegando carona na integração com a (ainda) grande base de PCs com Windows.
  4. iPhones – mestres em usabilidade, os celulares da Apple sofrerão com política de restrições ao desenvolvimento de novos aplicativos. Só so Mac fanáticos terão, ainda que sua base este em franca expansão em notebooks e desktops.
  5. Blackberry OS – focaram no público corporativo e perderam mercado por não entenderem que seu cliente também demanda aplicativos “de lazer”.

O final de 2008 nos dará subsídios para atualizar as previsões, pois já teremos em campo todos os players. A Apple terá lançado seu novo iPhone 3G, o SDK e a nova versão do seu OS; e os Android estarão no mercado, depois do atraso no lançamento. Volto a falar do assunto em breve.

Fonte dos gráficos: Gartner Group [celulares e smartphones]

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Google e o Dilema dos Prisioneiros

Posted by Gustavo Guida Reis on 18th June 2008

Há um embate acontecendo no momento entre Facebook e Google. Tudo gira em torno de o FB proibir que a ferramenta Friend Connect do Google capture os dados dos cadastrados no site do FB. Obviamente trata-se de uma discussão de negócios, apesar de travestida de algo com privacidade ou direitos pessoais.

O Google, se tornou um monstro, um site que chupa todo o conteúdo dos demais e os concentra em suas propriedades. Sites pequenos/ recém inaugurados, têm que estar no Google, pois garantem divulgação, vide o mercado de SEM, que cresce sem parar e foca basicamente no Google. A questão fica mais nebulosa quando falamos de sites que concentram dados de terceiros – sites de busca específica ou de relacionamento, por exemplo. Monstrinhos como Facebook (USD 15 bi de valor de mercado), Mercado Livre (USD 1.8 bi) e Telelistas, só para citar três exemplos. Esses sites precisam estar no Google?

Como já mencionado, o Google leva tráfego para os sites. Mas se esse tráfego não for de novos usuários, a brincadeira começa a não fazer tanto sentido, pois, em vez de educar os usuários a entrarem diretamente em seu site, estes ficam “viciados” em usar o Google.

Meus nobres quatro leitores, estamos diante do célebre Dilema dos Prisioneiros, popularizado pelo filme Uma Mente Brilhante. Os sites estão no Google porque todos seus concorrentes também estão. O melhor seria não estarem lá, mas não há forma de coordenarem uma ação nesse sentido porque o incentivo que cada site tem de estar lá, nos primeiros lugares, é enorme.

Os sites estão presos ao Google porque se não disponibilizarem seu conteúdo lá, estarão em desvantagem competitiva em relação a seus concorrentes. Da mesma forma, quem consegue proeminência nos resultados do Google tem vantagem competitiva em relação aos concorrentes.

A solução para os sites é realizar que não há escapatória. A mehor estratégia a seguir é:

  1. Otimização de código > para aparecer nas primeiras posições
  2. Compra de algumas palavras > para garantir a exposição
  3. Fidelização de novos usuários > para que cada vez mais usuários entrem sem passar pelo Google (e não fiquem à mercê da concorrência)

O mais grave nessa situação é que a internet como um todo está cada vez mais na mão do Google. Sua concorrência tende a minguar, vide Yahoo que agora dependerá do Google.

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O Mestre Empreendedor Eike Batista

Posted by Gustavo Guida Reis on 14th June 2008

Mais uma vez, assistimos um dos capítulos mais espetaculares do capitalismo brasileiro. É a cultura da GP elevada à décima potência, não tem para ninguém hoje em dia. O grande empreendedor do Brasil é o Eike Batista, que conseguiu finalmente implementar o modelo de financiamento de empresas e projetos já presente na Europa e nos EUA há séculos. Com coragem e estratégia impecável, Eike coleciona empreendimentos, agregando executivos competentes e repartindo as benesses com investidores.

O IPO da OGX foi o maior já feito no Brasil e, numa tacada só, Eike encorporou a bagatela de R$24 bi à sua fortuna, entrando para os top 10 mais ricos do mundo. Pelos meus cálculos (não oficiais), Eike tem cerca de 30 bilhões de dólares. Nada mal.

Fica a pergunta: quais serão seus próximos passos? Já declarou que vai investir em construção naval, para atender a demanda interna de seu grupo. E na Internet, o que o grupo anda investindo? Acabaram de garantir um aumento de capital na Ideiasnet. Admito que para algém de fora do ramo, investir numa empresa com um portfolio com a IN é uma saída, mas será que falta gente para assessora-lo melhor? Eike merece uma holding só dele: Xnet, interXnet,… (ele usa X em todos seus negócios). Garanto que seus ganhos seriam muito superiores.

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